A resiliência é uma qualidade que toda criança pode se beneficiar com a prática. Afinal, haverá desafios na vida, e saber perseverar mesmo em meio à frustração ou decepção será uma grande habilidade para a vida.
Na verdade, ao longo do seu desenvolvimento a criança vai dando mostras de que está disposta a superar desafios. Afinal, sem persistência e verdadeira tolerância aos contratempos, eles nunca caminhariam, falariam, escalariam, correriam ou mesmo aprenderiam a interagir e fazer amizades. Nós nos esquecemos de que, desde pequenininhos, fomos projetados para tentar,falhar, revisar, repetir – tudo para aprender. Muitas vezes, é a reação de um adulto aos contratempos que leva a criança a associar o fracasso a uma perda ou desapontamento duradouro. Portanto, os primeiros anos são um momento perfeito para conter nossas reações, deixá-los se esforçar e promover a coragem nas crianças.
A grande pergunta que você deve estar se fazendo agora é: tá, entendi! Mas como eu como pai ou mãe posso ajudar meu filho a se tornar mais resiliente? Bom, vou te dar algumas dicas simples que vocês poderão por em prática ou, se for o caso, continuar a praticá-las, caso já esteja fazendo alguma delas, ok?
1. Deixe as crianças dirigirem suas próprias brincadeiras: se as crianças tiverem muito espaço e tempo para brincar mais livremente, será muito mais provável que identifiquem e aprimorem seus interesses – e os interesses são sementes que geram paixões verdadeiras, e que lá na frente nos levam a preservar a despeito de toda dificuldade para realizar aquilo que desejamos.
2. Brinque de fazer de contas com a criança: o que isso tem a ver com resiliência? Quando as crianças brincam de faz de conta, elas desenvolvem flexibilidade cognitiva – a capacidade de contornar as regras, imaginar novos mundos e substituir uma ideia por outra. Parte de trabalhar para
contornar os obstáculos da vida é pensar e agir com flexibilidade. Então, brincar de faz de conta pode ajudar as crianças a se prepararem.
3. Reformule os problemas como “dificuldades desejáveis”: é difícil ver nossos filhos sofrerem, mas é útil nos perguntarmos: “Quando a frustração está realmente causando sofrimento e quando ela é um meio de aprendizado?” Ao fazer essa pergunta, você pode começar a identificar as “dificuldades desejáveis”. Quando uma tarefa é facilitada, ela não resulta em mais aprendizado. Isso é o que acontece quando nós vemos nossos filhos tentando encaixar uma peça num brinquedo e imediatamente corremos ao seu auxílio. Então não se esqueça: o desafio se torna uma maneira de melhorar a tarefa em mãos e aprender a ser flexível e resiliente.
4. Confie nas crianças para lhe dizer o que é muito desafiador: Crianças pequenas são muito boas em saber quando o muito é demais. Mas um pouco de frustração não faz mal a ninguém. Então, deixe a criança experimentar o desafio. Por exemplo, se seu filho decidir tentar arrastar um cesto de brinquedos três vezes maior que seu tamanho, deixe-o tentar. Persistindo um pouco, ela
aprenderá uma ou duas coisas sobre física e também sobre seus próprios limites. Se você a encorajar a não tentar, ele só aprenderá que você não acredita que ela possa fazer isso. Se ele ficar paralisado ou parecer triste quando for contrariado, você sempre pode sugerir que ele tente novamente quando for maior ou mais forte.

Monica Pessanha é psicanalista de crianças, adolescentes e mães, palestrante, coautora do livro EDUCANDO FILHOS PARA A VIDA e colunista na revista CRESCER. Mãe da Melissa, uma menina que ama ler. É o tipo de mãe que acredita que enquanto os filhos crescem, nós crescemos também.
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