Como viajar com as crianças sem sair de casa

Quem lê viaja! Provavelmente você já leu ou mesmo ou-viu essa frase que mais do que nunca nos convém. Estamos passando por mais um ano de pandemia e com distanciamento social. As opções de lazer e socialização para nossas crianças ainda são mínimas e restritas.

Para muitas crianças, confinadas em seus lares, a literatura pode lhes proporcionar uma viagem lúdica, pois Brincar com a Imaginação é uma atividade riquíssima e essencial para a formação humana.

A literatura tem este poder de nos fazer viajar e imaginar mundos e histórias! Muitas vezes, ela pode salvar nossas crianças do tédio de estar confinada em casa e algumas crianças com pouco contato com outras crianças. Foi o caso de Olga, filha do Marinho Freire.

Quando começou a pandemia, Olga tinha apenas quatro anos. Filha única, o seu contato com outras crianças diminuiu muito, convivendo praticamente apenas com seus pais. Inspirado na sua relação com a filha diante da pandemia, o Marinho Freire escreveu o livro Fique em Casa, Olga.

O livro está em formato digital: E-book e disponível gratuitamente. O autor Marinho Freire e a ilustradora Rebeca Silva, pretendem lançar o livro impresso, pois acreditam que para as crianças tocar no papel e perceber as cores, faz com que a leitura seja mais rica e prazerosa, além de ser um alimento para alma dos pequeninos, cuja histórias entram pelos seus olhos adentrando suas mentes, seus mundos.

Fique em Casa, Olga é uma excelente leitura em especial para as crianças que estão aprendendo a ler. Uma narrativa curta e com um ritmo poético suave que traz cenas cotidianas reforçando a relação entre pai e filha. O cuidado, a paciência e a criatividade são qualidades implícitas na história e nos inspiram para atravessarmos essa pandemia que todavia não termina.

A seguir, uma conversa com o autor Marinho Freire onde ele nos conta sobre o processo de criação e produção do livro e no final ele nos revela como podemos adquirir o livro gratuitamente! Aproveitem essa oportunidade e se puderem façam um PIX colaborativo para os artistas. E vamos torcer para que logo tenhamos essa preciosidade impressa para nossas crianças!

– Salve Marinho! Se apresente para gente, estamos querendo te conhecer!

Saudações, Maíra! Sou Marinho Freire, uma pessoa buliçosa que tem como principal virtude e defeito querer atuar profissionalmente em diferentes frentes. Sou comunicólogo habilitado para o jornalismo, mas nunca fui aquele jornalista padrão de redação, tanto que é difícil eu me identificar com o título. Mas sim, me considero um comunicador multitarefas (kkkkkkkkkk!), e utilizo essas ferramentas para atuar com produção cultural e de eventos – que é minha principal fonte de renda há muitos anos. Sou nascido e criado em Salvador/BA, passei quase dez anos em Florianópolis/SC, onde ainda tenho fortes laços profissionais e fraternais e, desde o final de 2018, estou de volta à capital baiana.

– E como a escrita e produzir um livro infantil surgiu na tua vida?

Sempre escrevi ‘direitinho’ e quis trabalhar com comunicação. No início, o jornalismo, os trabalhos com assessoria de imprensa, redes sociais, entre outros, ajudaram a dar aquela base, para produzir textos – sejam eles mais institucionais ou descolados. O livro infantil surge da união de muitas coisas, como a paternidade que trouxe a literatura infantil para o meu cotidiano, a vontade de fazer algo diferente, a necessidade de ter outra fonte de renda (o livro foi escrito neste momento em que exercer minha profissão ficou propriamente inviável). Como boa parte das pessoas, fui vítima do clichê da pandemia, que me obrigou a parar, a desacelerar. Há anos que eu quero escrever algo, mas não conseguia parar para tal. Agora rolou.

Fale sobre o livro: desde o processo de criação, produção editorial… Quem ilustrou? É uma edição independente ou por uma editora? Quem arcou com os custos?

O processo de criação foi muito espontâneo. Era a primeira fase do isolamento social, primeiro semestre de 2020, e eu e minha companheira em casa se desdobrando para tentar suprir essa lacuna deixada pela falta das aulas presenciais. Olga tinha quatro anos, e visivelmente, as aulinhas pela internet não davam conta da carência dela. Fui lembrando das atividades que já tínhamos feito em casa e fui montando um enredo, as ações do livro, já pensando nos detalhes dos cenários, gestos e demais detalhes de cada cena. Tudo isso foi entregue à parceira e ilustradora Rebeca Silva (@rbecasilva), que tem um trabalho lindíssimo em aquarela e experiência com literatura infantil. Rebeca deu cores, formas e vida aos personagens. Conseguiu passar a sapequice e delicadeza que o livro convida. Na sequência, inventei de transformá-lo também em audiobook, de forma a surfar na popularidade das plataformas de streaming, como YouTube e Spotify, e incluir novos públicos ao projeto como pessoas cegas ou pessoas com algum tipo de deficiência intelectual, que a impeçam de ler o livro.

Mesmo não sendo do ramo da literatura, quem me deu um grande apoio e me ajudou a organizar as ideias, foi Jéssica Faust, minha companheira e mãe de Olga, que não é escritora, mas estudou artes cênicas e atua com artes manuais. Rolava aquele momento de: “será que tá bom”? “O que pode melhorar”? E aí, fui afinando o texto, escolhendo melhor as palavras… Pois nesse formato, no qual o texto é curto, você precisa escolher bem as palavras para manter a história atrativa, bem como, deixá-la bem compreensível para as crianças.

O projeto de livro digital e audiobook “Fica em Casa, Olga” conta com o apoio financeiro do Programa Aldir Blanc Bahia, através da Fundação Pedro Calmon e Governo do Estado da Bahia.

 – Sobre a personagem da história, inspirada na sua filha, né? Nos fale sobre essa inspiração e criação. E qual mensagem você quer passar com este livro?

No processo de criação havia o desejo de se conectar com as diversas casas, que estão passando por um processo similar. Queria mandar uma mensagem de resiliência, de paciência às famílias. Quero também falar sobre paternidade, sobre a parceria pai e filha(o), que propriamente não existe na literatura infantil e que me incomoda. Sim, sei que essa ausência na ficção é mero reflexo da falta de participação dos pais na vida real dos pequenos. Mas fazemos parte também de uma geração que está aos poucos se tocando disso, entendendo a importância dessa relação. Não criei o livro pensando nisso necessariamente, mas desejo que seja um incentivo a uma paternidade mais presente. Quero que seja um suporte na hora de pensar brincadeiras, que nos ajude na busca por empatia.

Sobre a minha relação com Olga, sempre gosto de dizer que estou no processo contínuo de aprendizado e que nem sempre o “Fica em Casa, Olga” dá certo. Por aqui tem dias de luta, dias de glória. Dias de forte conexão pai e filha, e dias bem complicados.

-Onde os leitores podem adquirir o livro?

O projeto é inteiramente gratuito e pode ser baixado no site:

www.ficaemcasaolga.com

E quem quiser fazer uma colaboração e ajudar financeiramente o escritor e a ilustradora, basta acessar o site, que lá tem toda explicação e nossa chave PIX.

Muitíssimo obrigada Marinho! Nós do Ateliê Materno já baixamos nossos E-books e lemos com nossas crianças, amamos e recomendamos muito! Sucesso e que venham mais histórias inspiradoras, principalmente trazendo a relação entre Pai e filhos.

Maíra Castanheiro
Sou Escritora, Historiadora e tradutora. Aprendiz de jardineira Waldorf. Mãe de Mariaalice, que além de me ter feito mãe, me impulsionou a publicar meu primeiro livro: Para Maria Alice.
Em breve mais livros e mais livre.

www.aldeiadosaber.com

Categorias: Sem categoria